Diplomatas pediram esclarecimentos e alertaram que está sendo avaliada a possibilidade de agentes norte-americanos deixarem o país
Diplomatas brasileiros se reuniram nesta terça-feira (21) com a encarregada de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Kimberly Kelly, para pedir esclarecimentos sobre a expulsão do delegado da Polícia Federal no país.
A informação foi confirmada à Noticias sem censura pela Embaixada dos Estados Unidos e pelo Itamaraty.
O encontro ocorreu no final da tarde em Brasília e teve a participação, pelo lado brasileiro, de diplomatas, entre eles o diretor do Departamento de América do Norte da diplomacia brasileira, ministro Christiano Figuerôa.
Segundo fontes do governo, o Brasil pediu esclarecimentos no encontro e alertou que a possibilidade de que agentes americanos deixem o país está sendo avaliada neste momento e teria sido informada a representante americana.
Seria uma retaliação à expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo, após sua participação na prisão de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).
Uma decisão só deve ocorrer após o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Brasil na quarta-feira (22) e também do próprio delegado expulso, que deve retornar ainda nesta terça-feira (21) ao Brasil.
Caso Ramagem: Quem é o delegado da PF alvo de ordem do governo Trump para deixar os EUA
O delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação da corporação nos Estados Unidos, tornou-se o centro de uma tensão diplomática após o governo americano solicitar que ele deixe o país. A medida veio após sua atuação na detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), na semana passada, em território americano.
O pedido foi confirmado publicamente pelo Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, em uma publicação na rede social X. Sem citar nominalmente Marcelo Ivo, o órgão afirmou:
"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro em questão deixe nosso país por tentar fazer isso."
Na mensagem, o governo americano classifica a atuação como uma tentativa de "manipular" o sistema de imigração dos Estados Unidos para contornar pedidos formais de extradição e estender "perseguições políticas" ao território americano.
Até o momento, nem a Polícia Federal nem o Ministério das Relações Exteriores se manifestaram oficialmente sobre o caso. Uma fonte da PF ouvida sob reserva disse que a instituição ainda não havia sido formalmente comunicada da decisão.
Marcelo Ivo de Carvalho estava nos Estados Unidos desde agosto de 2023, baseado em Miami, na Flórida, como oficial de ligação da Polícia Federal junto ao Immigration and Customs Enforcement (ICE), agência responsável pela aplicação das leis de imigração e alfândega no país.
Na função, ele coordenava a cooperação entre Brasil e Estados Unidos em investigações transnacionais e operações migratórias, atuando diretamente dentro das instalações do órgão americano.
Segundo informações disponíveis, ele era o único delegado federal brasileiro designado para atuar diretamente nas dependências do ICE, o que lhe conferia um papel estratégico na interlocução entre as autoridades dos dois países, especialmente na região da Flórida.

Com mais de duas décadas de carreira na Polícia Federal, Marcelo Ivo ingressou como delegado em 2003 e acumulou cargos de destaque ao longo dos anos. Entre março de 2018 e maio de 2021, foi delegado regional de investigação e combate ao crime organizado em São Paulo. Posteriormente, assumiu a superintendência da Polícia Federal na Paraíba, função que exerceu entre fevereiro de 2022 e janeiro de 2023, antes de ser designado para a missão internacional nos Estados Unidos.
A Polícia Federal informou que o delegado estava no país em missão oficial de colaboração com as autoridades americanas. Ainda assim, a saída determinada pelo governo dos EUA ocorreu de forma compulsória, sem que tenham sido detalhados publicamente outros motivos específicos para a medida além das críticas feitas pelo Departamento de Estado.
O caso ocorre em meio a um momento sensível na cooperação entre Brasil e Estados Unidos em temas de segurança e migração, e coloca sob escrutínio os limites da atuação de autoridades estrangeiras dentro do sistema legal americano.
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